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O que orienta minha prática

  • Foto do escritor: Grasiela Cordeiro
    Grasiela Cordeiro
  • 12 de ago.
  • 2 min de leitura

Minha trajetória profissional é marcada pelo diálogo entre diferentes campos de conhecimento e pela busca constante de articulação entre teoria e prática. Minha base pedagógica se ancora na educação popular, especialmente a partir das contribuições de Paulo Freire, que me orientam a compreender a educação como uma prática de liberdade. Isso significa que não trabalho a partir de uma lógica vertical de transmissão de conteúdos, mas da construção coletiva do conhecimento, na qual a escuta, o diálogo e as experiências dos participantes ocupam uma posição central.


No campo da comunicação, essa perspectiva se amplia a partir da aproximação com as tradições da comunicação popular, que compreendem a comunicação não apenas como ferramenta técnica, mas como direito e como meio pelo qual sujeitos podem se expressar, disputar narrativas e participar ativamente da vida social e política. Comunicar, nesse horizonte, é produzir sentidos sobre o mundo e tensionar as formas como esses sentidos são historicamente organizados. Essa compreensão desloca a comunicação de um lugar exclusivamente funcional para um lugar político, no qual o direito de narrar e de ser narrado se torna central.


Essas perspectivas também orientam minha forma de compreender os processos educativos e os sujeitos que deles participam. Ao longo da minha trajetória, fui percebendo que discutir comunicação não significa apenas pensar em quem fala, quem tem acesso aos meios ou quais linguagens são utilizadas. Existe uma dimensão anterior e mais profunda: a disputa sobre quais conhecimentos são reconhecidos como legítimos, quem pode produzi-los e quais experiências são consideradas relevantes para compreender e transformar a realidade.


Essa percepção transformou minha maneira de compreender a educação, a comunicação e os territórios onde atuo. Antes de discutir metodologias, linguagens ou ferramentas, é preciso olhar para aquilo que sustenta essas dimensões: as formas como o conhecimento é produzido, validado e compartilhado na sociedade.


É a partir desse entendimento que questiono hierarquias de saber e busco reconhecer os conhecimentos produzidos nas favelas e periferias como legítimos. Em vez de partir de uma lógica de falta, procuro trabalhar a partir da potência dos territórios como espaços de criação, linguagem, estética, memória, organização e inovação. Essa escolha é, ao mesmo tempo, pedagógica e política: implica reconhecer os sujeitos não apenas como destinatários de processos formativos, mas como pessoas que já produzem conhecimento e possuem repertórios fundamentais para a construção coletiva da aprendizagem.


 
 
 

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